Foram 60 casos em 2014, 89 em 2015 e 127 casos em 2016, o que representa um aumento de 111,6% nos casos de morte envolvendo policiais.


Por G1 MA, São Luís

O Maranhão teve um aumento de 42% nos casos de morte envolvendo policiais entre 2015 e 2016, segundo o 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta segunda-feira (30). Foram 127 casos em 2016 e 89 em 2015. Um ano antes, 60 casos haviam sido registrados, o que significa crescimento de 111,6% nos casos de morte envolvendo policiais em apenas 3 anos.

Recentemente, várias mortes envolvendo policiais chamaram a atenção. No dia 14 de outubro deste ano, o policial militar José Carlos da Silva Verde matou o funcionário do IBAMA Ademar Moreira Gonçalves com um tiro nas costas na Avenida Litorânea, em São Luís. O servidor federal estava em um saindo de uma vaga de estacionamento quando foi atingido. O policial informou na delegacia de homicídios que atirou porque achou que estava sendo roubado.

Ademar Moreira Gonçalves foi morto a tiros enquanto dirigia seu veículo na Avenida Litorânea em São Luís. (Foto: Reprodução/TV Mirante)

Ademar Moreira Gonçalves foi morto a tiros enquanto dirigia seu veículo na Avenida Litorânea em São Luís. (Foto: Reprodução/TV Mirante)

Também em outubro, um homem identificado como Jamilson Cleiton Machado morreu após ser baleado na cabeça por um policial civil, ao sair de uma festa, no Centro Histórico de São Luís. De acordo com as investigações da polícia, ele teria sido morto por engano.

Jamilson Cleiton Machado morreu após ser baleado por engano em São Luís. (Foto: Arquivo pessoal)

Jamilson Cleiton Machado morreu após ser baleado por engano em São Luís. (Foto: Arquivo pessoal)

Em junho, o soldado da Polícia Militar Gladstone de Sousa se apresentou ao comando da corporação por suspeita de participação na morte e ocultação do cadáver de outros dois policiais, em novembro de 2016. No mesmo mês, o tenente-coronel da Polícia Militar Miguel Gomes Neto assassinou a própria esposa e em seguida se matou.

No mês de fevereiro, o Ministério Público do Maranhão (MP-MA) informou que os quatro policiais militares que se envolveram no assassinato da estudante Karina Britto Ferreira na cidade de Balsas, a cerca de 800 Km de São Luís, serão indiciados . Segundo o MP-MA, a estudante voltava de um velório quando o carro em que ela estava foi alvejado por vários tiros durante uma perseguição policial no dia 14 de dezembro do ano passado.

Karina Brito estava no banco do passageiro do carro que era dirigido pela irmã dela (Foto: Reprodução/TV Mirante)

Karina Brito estava no banco do passageiro do carro que era dirigido pela irmã dela (Foto: Reprodução/TV Mirante)

Já em 2016, Alexandre Xandu, soldado da policial militar recém-incorporado, matou um colega de farda dentro de uma viatura na cidade de João Lisboa (MA), a 640 km de São Luís. O caso aconteceu durante um patrulhamento de rotina na praça principal da cidade. Quatro policiais estavam dentro do carro da Polícia Militar do Maranhão no momento do incidente. Um ano antes, um jovem identificado como Fagner Barros dos Santos, de 19 anos, foi morto a tiros pelo cabo da Polícia Militar Marcelo Monteiro dos Santos durante uma operação de desocupação de um terreno, na Vila Luizão, em São Luís.

Outros dados

O levantamento também apontou um aumento no número de mortes violentas no Maranhão. No somatório entre número de homicídios dolosos, lesão corporal seguida de morte, latrocínio, mortes violentas intencionais e mortes envolvendo policiais houve um aumento geral de 2% em todo o Estado. Desse número, chama a atenção o aumento em 33% no número de mortes violentas intencionais entre 2015 e 2016.

Por outro lado, houve aumento no número de apreensões de armas de fogo. Um crescimento de 126,9% somando os registros da Secretaria de Segurança Pública (SSP), Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. Em números absolutos também cresceu o número de internações de menores infratores: 16,9% no total.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública não comentou o número de mortes cometidas por policiais, mas informou que houve redução em alguns pontos citados pelo Anuário e que tem adototado medidas para a diminuição dos índices de criminalidade no Estado. Veja a nota na íntegra:

“A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-MA) informa que o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado nesta segunda-feira (30), registrou queda de 20,5% nos crimes violentos letais intencionais em São Luís, entre 2015 e 2016, a quarta maior redução entre todas as capitais do Brasil. O anuário também registra outras quedas nos índices de criminalidade. Os homicídios na capital maranhense, por exemplo, caíram 15,4%. O crime de lesão corporal seguida de morte diminuiu 63,9% e os latrocínios tiveram redução de 52,5%. O Governo do Maranhão vem adotando medidas concretas no combate à criminalidade no Estado. Em três anos de gestão, o sistema de segurança recebeu um incremento de 26,9% no efetivo policial, chegando à marca histórica de 12 mil agentes em atuação. As efetivações são parte do plano de reestruturação das polícias que, além do reforço pessoal, receberam mais de 4 mil promoções, em um inédito programa de valorização das categorias, e agora contam com o acréscimo de 833 novas viaturas. Os investimentos no setor também permitiram a criação das Superintendências Especializadas nos crimes de maior demanda – cujas investigações de homicídios estão contempladas; a descentralização da atividade policial; a instituição do Pacto pela Paz; e a maior integração entre polícia e sociedade, fator contribuinte para a queda nos indicadores de violência. O Estado também investiu na transparência dos dados. Até 2015 havia um alto índice de subnotificações registradas fora da Capital. Isso significa que os crimes cometidos no interior nem sempre entravam para as estatísticas. Ciente da deficiência, a atual gestão corrigiu a aferição de dados com a criação da Unidade de Estatística e Análise Criminal da SSP. Além disso, incluiu 18 representantes de estatísticas nas Unidades Regionais para obter os números exatos da criminalidade no interior do Estado”.

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