•  ISMAEL ARAÚJO

Esse é o segundo crime praticado por pistoleiros este ano no Maranhão; nos últimos 36 meses, 13 casos assassinatos foram registrados, envolvendo vereadores, blogueiros, secretários municipais, empresários e candidatos

Raimundo Lucena que foi morto em Igarapé Grande.
Raimundo Lucena que foi morto em Igarapé Grande. (Foto: Divulgação)

SÃO LUÍS – Empresários voltaram a ser vítimas de crime de pistolagem (crime encomendado) no Maranhão. Somente este ano foram dois casos no interior. Um levantamento feito por O Estado mostra que nos últimos 36 meses 13 assassinatos foram registrados e investigados como crime de pistolagem. O último registro ocorreu ontem e a vítima foi o proprietário de uma rede de supermercado e de material de construção da cidade de Igarapé Grande, Raimundo Lucena, idade não revelada. Segundo a polícia, ele foi assassinado a tiros dentro de um dos seus empreendimentos comerciais. A vítima era sogro de um dos filhos de Zezé Alagoano, morto em uma emboscada no dia 4 de novembro do ano passado, no povoado Lucindo, em Poção de Pedra.

A polícia informou que dois homens bem vestidos chegaram, por volta das 8h30, ao supermercado da vítima e sem chamar a atenção de clientes e de funcionários, invadiram a área onde o empresário estava e dispararam vários tiros à queima-roupa contra ele. Em seguida, os criminosos fugiram em uma motocicleta Bros preta, de placa não identificada.

As balas atingiram a cabeça do empresário que morreu no local. Os moradores se aglomeraram na porta do supermercado para saber informações sobre o caso, mas foram contidos pela polícia. O corpo de Raimundo Lucena foi removido para o hospital da cidade para ser periciado. O caso está sendo investigado pela delegacia de Polícia Civil de Igarapé Grande.

O sargento Carlos, da Polícia Militar, não conseguiu identificar a motivação desse crime. Ele informou que os militares já estão realizando buscas visando prender os acusados. Barreiras em vários pontos da cidade foram montadas, mas não conseguiram interceptar a passagem do veículo, mas há possibilidades de eles ainda estejam na região.

Outros casos

No dia 26 de janeiro deste ano ocorreu o assassinato do agiota e pecuarista Raimar Costa Pinto, idade não revelada. Ainda de acordo com as informações da polícia, ele foi assassinado a tiros em seu posto de combustível, no bairro Altamira, em Barra do Corda.

O caso está sendo investigado pela equipe da Delegacia Regional de Barra do Corda, sob a coordenação do delegado Renilton Ferreira. Ele declarou que o empresário foi surpreendido pelos criminosos que dispararam vários tiros contra ele, inclusive na cabeça. Os socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados, mas quando chegaram ao local já encontraram o empresário sem vida.

O delegado informou que Raimar Costa havia sido preso durante uma operação da Polícia Civil ocorrida em agosto de 2016, acusado de homicídio, ameaças a policiais e terrorismo. As vítimas suspostamente estariam devendo dinheiro oriundo de empréstimos a ele. Esse caso nunca foi desvendado pela polícia, que agora investiga o seu assassinato.

Mais ocorrências

Uma matéria publicada na edição do dia 7 de dezembro do ano passado, O Estado divulgou que 11 casos de crime de pistolagem tinham ocorrido no Maranhão em um intervalo de três anos. Entre as vítimas desse tipo de crime cinco eram vereadores do interior do Maranhão. Três ocorreram contra blogueiros, um contra um secretário municipal e contra um candidato a vice-prefeito.

Na conta da violência no Maranhão estão as mortes por execução dos vereadores Evilásio Roque Ramos, o Evilásio do PAM de Caxias. Ele foi encontrado morto em sua casa com dois tiros na cabeça. A polícia seguiu a linha de investigação de que o crime foi de pistolagem.

Repercussão

Outro caso que teve grande repercussão em São Luís foi o assassinato do empresário Marggion Lanyere Ferreira Andrade, ocorrido no dia 11 de outubro de 2011, no Araçagi, em São José de Ribamar. Os mandantes desse crime, Elias Orlando Nunes Filho e o ex-vereador de Paço do Lumiar, Edson Arouche Júnior, o Júnior do Mojó, ainda não foram submetidos a júri popular.

Na época do assassinato, a polícia prendeu Elias Orlando, Júnior do Mojó e os outros envolvidos, o caseiro Robert Sousa dos Santos; o ex-presidiário Alex Nascimento dos Santos, ambos executores do homicídio, e apreendeu um adolescente de 15 anos. Os mandantes estão em liberdade e os autores do crime estão presos, mesmo sem julgamento, com exceção do adolescente que foi morto dois anos depois, no Sítio Natureza.

O processo desse caso está tramitando na Vara Criminal da Comarca de São José de Ribamar e a data do julgamento dos mandantes ainda não foi definida. Segundo a polícia, o empresário Marggion Andrade foi assassinado em um terreno, no Araçagi, por denunciar o esquema de grilagem de terra, na área. Lotes eram vendidos de forma ilegal. Um mesmo terreno era vendido duas ou mais vezes.

Fonte: imirante.com

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